4 de outubro de 2011

Da série de pessoas...

Faz pouco tempo, pouco mesmo, alguns meses eu aprendi a começar a diferenciar as minhas frustrações pessoas, de pessoas que nem merecem qualquer lágrima minha, não que isso adiante muito.

As pessoas sempre vão me frustrar em algum momento, minhas expectativas são muito altas e exatas, como não vão me decepcionar? Vão. Até ai, isso pode ser digerido, eu posso fazer uma autocrítica, ver o quão importante é ou não aquilo para mim, o quanto afeta o meu relacionamento com essa pessoa.

Mas há outro tipo, que não é decepção, embora eu tenha acreditado nisso a minha vida toda, não é decepção. É aquela história universalista, aquela história que se eu contar dizendo que é de uma amiga, vão dizer: “nossa essa outra pessoa foi bacana”. 

O problema é que, as próprias pessoas que agem assim, sem serem "bacanas" com as outras, não se auto reconhecem. Por exemplo, eu tenho certeza que até hoje se alguém puxar um papo no médico com o meu ex-namorado e falar sobre "mentir e brigar sozinho com a sua ex-namorada" ou "que o namorado da amiga a chamou de gorda quando ela estava magra e quando ela estava gorda de nojenta" ele vai achar tudo isso muito errado. Que ironia. 

Mais um episódio em minha vida, é sim, EM MINHA VIDA. Não foi o segundo, nem o décimo e muito menos deverá ser o último. A pessoa fala mundo e fundos, como há anos ela gosta de você, espera pelo momento de um dia ficar com você. Uma hora, você começa a ceder à trama... Você vai cautelosa, até acredita que metade disso é puro exagero masculino. Como se não bastasse, a pessoa não mora perto, mora é MUITO longe. Você, que já está completamente envolvida, queria viajar, junto o útil ao agradável e decide visitar a pessoa. Pessoa essa que mora tipo, na Patagônia, não é lá, mas tá valendo a mesma coisa. Quando falta um pouco mais de uma semana para a viagem, a pessoa começa a SÓ te tratar mal, mal, mal, mal. Uma hora cansa e você também revida, mas ai você pensa “se acalma, tenta arrumar as coisas”, mas não! Essa pessoa já está perdida e feliz, missão cumprida! VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR CONSERTAR NADA, NÃO VAI! ESQUEÇA! Você manda uma mensagem dizendo e mostrando a atitude da pessoa para ver se dá uma acordada, você chama no msn, você liga. ESQUEÇA!

É, o melhor a fazer mesmo é bloquear no face, parar de seguir o infeliz no twitter e se ele quiser, tem seu telefone, deixa lá o msn/Skype, vai que de repente rola uma luz na pessoa?
Acho que a pessoa pensa assim: tô aqui na minha casinha, de buenas... Não paguei passagem, não tô desempregado, não tô indo pra puta que pariu do fim do mundo, nada disso e nem fui eu que pedi para essa fulaninha vir, pra quê eu vou me preocupar?
Parabéns!

4 de setembro de 2011

Quem Espera?

              Quem espera que um dia eu case? De verdade, quem pode acreditar nisso? Bom, mas tudo bem. O que espero mesmo dessa vida é dinheiro digno, um trabalho mais ou menos chato para eu poder ter assunto com a família. Espero meia dúzia de amigos que queiram me visitar domingo à tarde na minha casa desarrumada. Espero ter menos gripes e que algumas pessoas morram. Espero uma velhice curta, uma morte rápida e muitas viagens. Espero poder fotografar tudo o que quiser e que o filme da máquina não queime.  Não espero que o messias apareça e que ninguém alcance as minas expectativas. 
            Hoje sou eu, mulher, branca, de cabelos lisos, olhos verdes, mais ou menos fora de forma, mais um menos amada. Olhos cançado, com problemas na coluna, alvo de chacota, chamada de louca. Um pouco inteligente, um pouco ingênua, um pouco cansada. E sou só eu.

Eu fui até lá.

Não faz parte do conjunto de talheres que ganhei o brilho nos olhos que eu ainda não achei. Eu fui até lá para tentar te encontrar, comprei flores e as deixei no caminho. Eu não tive coragem. Fui até lá maz fiquei observando de fora, não te vi. Não te vi porque não te vi, ou você não foi. Faz mais ou menos um mês que não te vejo, faz mais ou menos 20 dias que te esqueci, faz mais ou menos. De lá, eu fui para um bar e quando cheguei, lembrei que não poderia beber, voltei para casa. Estava frio, úmido, com muitas pessoas na rua, eu sozinha. Eu cheguei em casa, quero que saiba que eu cheguei. Sentei no sofá e por 10 ou 30 minutos fiquei muda comigo e com o sofá. Dormi, amanheci e fui até lá para tentar te encontrar.

3 de setembro de 2011

Em briga de marido e mulher EU meto a colher!


A relação de um casal (seja ela da orientação sexual que for) é como um relacionamento qualquer entre duas pessoas. Eu nunca ouvi falar que em briga de irmãos ninguém, sei lá, mete o colherão (?). Sabe? Eu acho que tomar partido é sempre uma coisa complicada, porque no fim, quando se ouve os dois lados, nota-se a razão de ambos, é o que chamamos na antropologia de relativizar. Não há certo, não há errado, considerando exceções (?). Não, não é legal para nenhum relacionamento da naturaza que for, pessoas jogando contra, isso quer dizer, contando histórias, fofocas, coisas irrelevantes. Mas é sempre bom, gostoso, agradável e de grande valia conversar e saber a opinião de alguém que está de fora desse relacionamento. Isso é se meter? Pricipalmente quando quem está buscando esse conversa fora do relacionamento é uma das partes.
            Dito isto, está feita a minha defesa. 

31 de agosto de 2011

Abriu

Abriu os olhos, o corpo grita quando não queremos escutar nossos instintos mais derradeiros, é hora de parar. Respira fundo, olha ao redor, que rotina é essa? E os meus amigos? Por que parei de dormir? Cadê a grana? Cadê minha vida, o que sempre me caracterizou? Onde vim parar? A viagem foi boa, as descobertas interessantes, as sensações indescritíveis. Foi bom. Tão bom é voltar, como se volta pra casa em um dia muito cansativo, depois de uma viagem longa: só quero a minha cama, meu edredon, meu travesseiro, meu ursinho de pelúcia. 
O meu corpo gritou, gritou meu nome bem alto dentro de mim mesma com tom de quem pergunta, me procurava e eu escutei, só demorei a responder. Mas respondi, agora eu respondi, agora chegou.
É uma nova versão, nem a de antes, nem a de ontem, nem a de criança, é nova. É essa nova, precisa de um corte novo de cabelo, talvez uma cor diferente? Precisa de roupas, coisas, pessoas, janelas: tudo novo. Eu gosto do novo, seja bem vindo.

28 de agosto de 2011

Definindo o indefinido: pode.


Desde de muito nova acho muito chato o ato da definição, eu não posso simplesmente ser e não ser de forma coerente? Sabe como funciona? É muito simples, é só você dizer que para tal situação você não concorda e para outra sim, não pode? Todo mundo faz isso. Às vezes eu penso que só eu não posso mudar de opinião, então temos de ser fixos? Só me irrita a mudança de opinião quando ela não é assumida, onde está a coerência

Você não disse “x” ontem e hoje disse “y”? Não. (????????????????????)
o.O

Indefinido

Forte, fraco, o que é tudo isso mesmo? Fazer ciências sociais é deixar de ser tolerante com a intolerância e passar a ser intolerante com a intolerância. Para os que percebem isso: exercitar a tolerância com intolerantes. Nossa vida toda é assim, uma eterna construção da descontrução e reconstrução da contrução e eu estou pirando! Respiro. Ufa, quase me sufoquei. Tem gente que pensa que eu nunca choro, outros acham que eu nunca falei sério na vida, tem gente que pensa que TODAS as palavras que eu digo são irônicas e no fim disso tudo, desculpe, tudo isso é verdadeiro e falso: ninguém é, ou pode ser TÃO definido, parem de definir!

Espírito Cristão-Social-Brasileiro

Nunca saí muito bem na foto, não costumam me amar de cara, mais fácil me odiarem, mais fácil acreditarem em coisas opostas ao que sou. Dizem que a culpa é minha. Acho fácil culpar os outros, mas é engraçado como as pessoas pensam que eu que as culpo: eu peço tantas desculpas, que esqueço de dizer obrigado. Desculpe. É engraçado tentar fazer o caminho inverso do que sempre me ensinaram, minha psiquiatra e meu analista pedem para eu ser menos boazinha, e eu deveria. Não acho que isso me torna melhor, não mesmo, acho que isso me torna uma babaca manipulada por um espírito cristão-social-brasileiro: parabéns!

Típico


Nunca foi tão difícil que fizesse que tudo se tornasse impossível, e nunca foi tão fácil que eu não precisasse reclamar. Perdi alguma coisa no caminho? Me perdi no caminho? Não. Nada se perdeu. Somos como as culturas, mesmo que depois de mortos todos os integrantes de uma sociedade, essa cultura jamais é morta, uma vez que houve contato com outra cultura ela irá se juntar, agregar, prosseguir de forma diferente. Nós não perdemos nada no caminho, nunca. Nos tranformamos em coisas diferentes, pessoas diferentes, mesmo que tenhamos atitudes opostas ao do passado, aquela de outrora não foi perdida, mas mudada, tranformada e está lá, em algum canto contida. Quantas vezes me transformei? Cortei os cabelos, tingi, mudei de cores de roupas, modelos, vocabulários, perspectivas, sonhos, tudo. E que bom. É claro que sei que a maior parte das pessoas não viveriam como eu vivo, não seriam tão intensas, nem tão insanas, mas eu gosto. Acho que lá no fundo de mim gosto desse monte de doenças que fui acumulando, mas também odeio. Típico.


3 de agosto de 2011

Você nem viu

Não é mais dia, aliás, não me acostumei de novo com a luz do dia, ainda gosto dele, mas a luz me ameaça. Disseram-me que você vai bem, a vida continua, talvez um pouco mais parada, talvez um pouco mais fácil, talvez com mais dinheiro. Ouvi dizer que o desânimo continua você ainda é o que eu conheci, a não ser comigo. Hoje já faz quase um ano, e nada se resolveu. Permanecer a mesma decisão, não pareceu uma resolução, pelo menos eu não sinto assim. Talvez agora você seja mais feliz, tenha mais tempo para você, e possa usar e comer tudo o que quiser. Agora você não precisa ser mais coerente, você pode voltar a odiar o seu irmão e não reconhecer o valor da sua família. Talvez, agora você seja tudo aquilo que desejou, mas eu não compreendi: não que isso faça com que eu me sinta culpada.


A vida está diferente, ainda luto para tentar assumir algumas facetas, as dores são as mesmas, mas me sinto diferente. Tenho novas preocupações, perspectivas, interrogações e uma calma inquietude. Quando me lembro de você, não há nada claro, é como uma morte: não me lembro bem do seu rosto, nem de momentos longos, mas choro. Você deve pensar como o resto do mundo, que chorar quer dizer uma única coisa: fraqueza. Para mim, chorar quer dizer uma porção de coisas impossíveis de serem definidas.

Faz quase um ano que eu já sabia, fazem muitos mais que eu pensei, planejei, ensaiei diversas vezes. Às vezes penso que de verdade, jamais saberei se foi bom ou ruim, acho que foi bom e ruim ao mesmo tempo de forma diferente do que seria. Quero que saiba que não te culpo, há uma mágoa imensa e não nego, mas não culpo. Ainda no fim, olho para todo mundo e vejo um animal que está ali, e enquanto vivo, acerta, erra, magoa, e é estranho: eu também fiz muito disso tudo.

Hoje em dia eu cuido da minha pele, passo protetor solar, me maquio melhor, voltei a ter cabelos curtos, escuros e lisos. Ganhei novas marcas, passei por novas doenças, conheci lugares novos, experimentei novas comidas, conheci pessoas de formas tão estranhas que nem eu mesma acredito. Sou mulher. Ainda feminista, mais autônoma, mais preguiçosa e com mais vontades. Aprendi a me amar, me achar bonita e perceber como me enganei ao meu respeito.

Você provavelmente nunca leu nada do que escrevi, talvez permaneça mudo até a minha morte, fique invisível até quando eu agonizar de dores: irônico. É uma triste saudade do que foi, do que não foi e do que eu deixei de viver em todos esses anos. Nunca vou saber e é inútil imaginar o inimaginável. Espero que um dia você tenha o que precisa para poder falar comigo, palavra que for, da forma que for. É porque às vezes tenho a sensação de loucura, como se mais ninguém tivesse te conhecido e eu tivesse imaginado tudo, sentido, e você nunca existiu: preciso saber que não estou louca.


Enquanto isso, tudo segue, da forma que é, da forma que for... tudo segue. Talvez eu morra, talvez você morra, talvez eu case, talvez só tenha uma filha para chamar de minha. É, acho que foi isso, acho que eu entendo o que você quis dizer com “cobrança”, eu me sinto assim e tenho horror que as pessoas depositem suas esperanças em mim, pesa muito, eu não sabia.


Boa casa, boa família, boa saúde, bom dinheiro.

4 de março de 2011

Rumo à e Bogotá first day

Bom, se cêis num sabe, eu não dormi a noite toda, porque sabe, eu sou uma pessoa sem adrenalina e sem ansiedade, sou livre desses males! E por isso mesmo levo uma vida muito regrada à base de remédios, álcool, amigos e vida noturna variada: ligar pra gente que eu não falo há 7 anos e falar pra passar na minha casa; conversar com os porteiros sobre política; ficar escrevendo nessa merda; enfim... O mais regrado de tudo na minha vida é a comida, isso ninguém NUNCA irá poder discutir comigo, porque critério pra comida é o que não me falta, o que falta mesmo é vontade de comer, e sobra vontade de viver.


Tá, pra quem me segue no twitter (@SachaPalma), ou me tem no face, já sabe um pouquinho da minha saga no aeroporto. Porque assim, não basta ir viajar, a pessoa ainda viaja exigindo toddynho da mãe aos 22 anos e como ela NÃO fez faculdade de economia, eu tive que comprar no aeroporto e pagar nada menos que R$ 4,30. Má vá, mais barato do que isso não, DUVIDO?


Mas um dos pontos onde a coisa começa a ficar interessante, é quando eu passo na alfândega, ainda no Brasil. Como alguns já sabem, depois de ter lacrada toda a minha mochila com os lacres que restaram das luzes de natal do meu prédio, eu me dou conta: Eu não coloquei toalha. Ai, você vai dizer a mesma porcaria que a minha mãe disse: Corta o lacre e coloca lá e lacra de novo. Cê jura? Não cabe! Por isso mesmo a minha linda toalha me acompanhou dentro da minha bolsa na bagagem de mão, junto ao netbook e psicotrópicos. 
E não é que a tiazinha da alfândega sei lá porque cargas d'água resolveu remexe a minha bolsa? Ai foi lindo, a muié tirando uma toalha de banho de dentro da minha bolsa, imagina... Tipo "ela vai tomar banho no avião?" ou "Ela vai tomar banho na pia do aeroporto?".... ai, ai.


E como SEMPRE o OBEVEO aconteceu, um casal gay do sexo masculino e lindos sentam bem na minha frente, no que vc acha que resultou disso:
a) Como vc não tinha dormido, dormiu o voo todo
b) Vc foi fazer a social e foi esnobada pelos lindos
c) Fico tudo amigo, até dos dois outros passageiros da sua poltrona + a da poltrona da frente + a da poltrona do lado da frente.


Não vou responder, a resposta é MUITO obvia, deixem nos comentários seus palpites.




Termino aqui para não ficar muito longo. Aguardo os palpites e então continuo essa linda história da Sacha sentada entre um colombiano e outra colombiana que SÓ eu achava que era brasileira e falava em português com a mulher que só acenava... enfim.


No próximo capítulo você lerá:
- "Embarque Próximo"

- Cantada na alfandega
- "Me dá um?"
- "Sorry?".....




BJO, quem quiser pode falar comigo por Skype: Sacha Palma, não, não tem duas no Brasil, prometo!